Ler o rótulo. A sério.
O estudo de literacia alimentar revela que 44% dos portugueses tem dificuldade em interpretar a informação sobre alergénios nos rótulos, e outros 44% não conseguem compreender selos e certificações como DOP, IGP ou o selo de agricultura biológica. Quase metade, 41%, não consegue avaliar se um alimento é saudável com base na informação da frente da embalagem, incluindo o Nutri-Score.
Mafalda aponta uma ironia: se o Nutri-Score, criado para simplificar a escolha, já gera confusão, as redes sociais são terreno ainda mais instável. “O Nutri-Score compara todos os alimentos uns com os outros em vez de olhar a categorias. Se isto é difícil de compreender, como não o serão as redes sociais.” O problema é crescente: “Chego a receber nas consultas médicos que se sentem confusos face a determinados temas de nutrição.”
O que as marcas podem fazer
Do lado do retalho, o Continente investiu nos últimos anos na reformulação de produtos de marca própria: desde 2018, reduziu 125 toneladas de sal, 1.500 toneladas de açúcar e 445 toneladas de gordura saturada em mais de 650 produtos. Disponibiliza também o Semáforo Nutricional e um Planeador de Refeições online. A gama Equilíbrio foi desenhada para oferecer opções nutricionalmente equilibradas a preço acessível.
Helena Real lembra que a literacia alimentar envolve todo o percurso: planear, gerir o orçamento, selecionar, preparar e consumir com consciência. O principal obstáculo já não é o acesso à informação. Os portugueses sabem, cada vez mais, o que é uma alimentação saudável. O desafio está em aplicar esse conhecimento dentro de um orçamento real, com tempo real, numa vida real. E isso, dizem os especialistas, começa antes de se entrar no supermercado.