Os mitos que afastam as pessoas
A desinformação é um obstáculo real. O primeiro mito que Mariana Chaves ouve com mais frequência: “Azeite e frutos secos engordam, logo devo evitar.” São alimentos calóricos, reconhece, mas a densidade calórica não os torna problemáticos em quantidades adequadas. “Uma colher de azeite cru ou um punhado de nozes por dia não engorda; é precisamente esse medo infundado que afasta muitas pessoas dos alimentos com maior evidência de benefício.”
O segundo mito é a ideia de que “basta trocar as gorduras habituais por azeite”. Cerca de 95% dos portugueses dizem usar azeite como principal gordura culinária, mas apenas 26% têm uma adesão elevada ao padrão como um todo. “O núcleo sobrevive, o resto perde-se”, resume a nutricionista. Os outros dois mitos são igualmente persistentes. A ideia de que é preciso beber vinho todos os dias, quando o vinho aparece na pirâmide mediterrânica como opcional e em quantidade moderada, nunca como recomendação. E a convicção de que é uma dieta cara e trabalhosa, quando o problema não é o custo real dos alimentos base, mas o preço percebido e a falta de literacia alimentar prática.
André Matos vai ao mesmo ponto pela via da cozinha. “O mais importante é planear as refeições da semana, organizar as compras e privilegiar ingredientes frescos e equilibrados. Com alguma preparação, é possível criar refeições simples, saudáveis e saborosas.”
Para o professor Manuel Oliveira Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, a mensagem é clara. “A alimentação é determinante para o risco de se vir a sofrer de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, cancro e mesmo doença cognitiva.” O regresso à dieta mediterrânica não exige uma revolução à mesa. Exige, antes, resgatar o que sempre esteve aqui.