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Da horta à mesa: quando a tradição é a melhor receita

fish for dinner. in female hands baked fish on a baking sheet.

Da horta à mesa: quando a tradição é a melhor receita

Publicado em 27 de Agosto de 2026 at 08:00

A cozinha portuguesa nunca precisou de importar tendências. O que o mundo hoje celebra como o padrão alimentar mais saudável do planeta sempre esteve aqui.

O padrão alimentar que o mundo hoje premeia como o mais saudável do planeta sempre fez parte da mesa portuguesa. André Matos, chef executivo da Cozinha Continente, trabalha diariamente com essa herança.

“A ligação é muito natural”, diz André Matos. “A cozinha portuguesa partilha muitos dos princípios da dieta mediterrânica, como o respeito pelos produtos locais e pela sua sazonalidade, mas também a utilização de ingredientes frescos, a simplicidade das confeções e a valorização da partilha à mesa. Todos os dias, na Cozinha Continente, privilegiamos isso mesmo, a utilização dos ingredientes mais frescos, de origem nacional e da época, adaptando a nossa oferta aos diferentes momentos do ano.”

Para o chef, há produtos nacionais que são incontornáveis neste padrão. O azeite virgem extra ocupa o lugar central. “É uma gordura de eleição, tanto pela qualidade como pelo papel que desempenha na cozinha portuguesa e mediterrânica, acompanhado por alho, cebola e ervas aromáticas, que contribuem para potenciar o sabor e moderar o teor de sal das refeições.” A qualidade do azeite nacional, acrescenta, “é amplamente reconhecida e o seu perfil nutricional, rico em compostos antioxidantes, faz dele um ingrediente indispensável em inúmeras receitas.”

O peixe é o segundo pilar. Sardinha, cavala, atum, peixe-espada. Peixes gordos, ricos em ómega-3, acessíveis e profundamente enraizados na gastronomia portuguesa. “Portugal é um país particularmente rico em diversidade agrícola e alimentar, com excelentes produtores e matéria-prima de elevada qualidade, o que nos permite seguir os princípios da dieta mediterrânica sem abdicar dos sabores tradicionais que tão bem nos caracterizam.”

Portugal é um país particularmente rico em diversidade agrícola e alimentar, com excelentes produtores e matéria-prima de elevada qualidade, o que nos permite seguir os princípios da dieta mediterrânica sem abdicar dos sabores tradicionais que tão bem nos caracterizam.

O que a estação manda

A sazonalidade é um dos pilares menos visíveis, mas mais determinantes deste padrão alimentar. Cozinhar com o que a terra e o mar oferecem em cada época, diz André Matos, “permite obter receitas com mais sabor, melhor textura e, frequentemente, uma melhor relação qualidade-preço.” Respeitar os ciclos naturais dos ingredientes “tem também uma dimensão de sustentabilidade”, pois reduz o desperdício e promove uma utilização mais responsável dos recursos.

Há ingredientes mediterrânicos com enorme potencial que os portugueses ainda subvalorizam. O chef destaca três: o tremoço, “nutritivo, versátil e muito alinhado com os princípios deste padrão alimentar, mas que continua muitas vezes limitado a momentos de consumo ocasionais”; a alfarroba e a bolota, “dois ingredientes que merecem ser redescobertos”, com grande potencial gastronómico em sopas, farinhas e purés, “contribuindo para uma alimentação mais diversificada.”